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"Retomar o Progresso"
POR: CAMILO MORAIS ...................................Publicado Segunda-feira, Julho 11, 2005

Há 12 anos, quando o P.S. ganhou pela primeira vez a Câmara encontrámos um concelho desmobilizado, deprimido, quase terceiro mundista. Todos os vizinhos aproveitaram o 1º QCA. Em Macedo, passou no IP4! Para além deste, outro crime lesa município tinha sido cometido, a estrada de Peredo que custou ao erário da Câmara cerca de 700 mil contos. Não tinha, praticamente, recolha de lixo, saneamento básico, água tratada ao domicílio, havendo freguesias que nem água canalizada tinham. Várias aldeias não tinham ligações pavimentadas com as povoações vizinhas. De imagem péssima no exterior, era conhecido pelos piores motivos. O PSD estava então ligado ao que nos aconteceu de pior no sec xx. O concelho sem liderança sem planeamento, parado no tempo, reclamava ansiosamente pela mudança. Ganhámos as eleições. Uma equipa jovem, liderada pelo Luís Vaz, deitou mãos à obra. Parecia uma tarefa impossível. Ninguém acreditaria que passados oito anos, Macedo seria a cidade que temos hoje. Rasgaram-se horizontes e novas avenidas, reabilitaram-se antigas praças, nasceram jardins. Enfim, surgiu um conceito de urbanidade que as pessoas interiorizaram orgulhosas da sua cidade e do seu concelho.
Na área ambiental, o Azibo, como obra estruturante ganhou corpo. Várias valências da lúdica à didático/pedagógica foram implementadas. É neste momento, uma infra estrutura que nos enche de orgulho e que posiciona Macedo como um dos municípios pioneiros neste domínio. É bom que se diga que a nossa praia sempre teve o máximo galardão das águas limpas. Antes a bandeira verde, hoje a bandeira azul. Fomos, também pioneiros na educação ambiental com a instalação da 1ª ecoteca do país. Na área económica lançou-se a ZI com a intenção de ser supra municipal. Em poucos meses bateu todos os recordes de venda de terrenos. Havia confiança dos investidores, não só pela localização, mas também pelos índices de progresso que o nosso jovem concelho ostentava.
Em termos culturais trouxemos um conceito de cultura que ficou nas consciências e que nos valeu o honroso título de capital cultural do nordeste transmontano.
Na área social, para lá de colaborarmos com os governos em todas as iniciativas, fomos também pioneiros na rede social, no rendimento mínimo, na luta contra a pobreza que ajudou muita gente com graves problemas sociais. Construíram-se, ainda 32 casas no Bairro social da Alegria de um total de 50. As restantes 18 iam ser construídas ao longo do concelho. O desenvolvimento foi tal, que, dois meses antes das eleições de 2001, ninguém acreditaria que as perderíamos. Baixámos a despesa corrente, tínhamos obra e três coisas que ninguém tira ao PS e aos seus autarcas: o Azibo, a ZI e o título de cidade. Estávamos e estamos convictos do bom trabalho feito de tal maneira que o nosso slogan era: Macedo não para.
Alguém se lembra do slogan deles? Mudar para melhor. E que é que aconteceu? Mudámos para pior e Macedo parou.
Parou porque não têm uma única obra estruturante. Apenas avançaram as que deixámos adjudicadas, ou em vias de adjudicação por que não as conseguiram parar. Algumas ainda não estão concluídas, passados que são 4 anos. As que tinham projecto concluído, como a Av. da Estação foram empurradas, por incapacidade financeira, para o fim do mandato. A Alameda, com o parque de estacionamento subterrâneo, que sempre reclamaram de nós, é a obra emblemática deles. Parque subterrâneo? Pois, esqueceram-se de deixar a porta de entrada. Mas tem a de saída que os eleitores lhe vão mostrar dia 9 de Outubro.
Nós sabemos que não é só, com a reabilitação urbana de uma rua que se dinamiza essa rua. Não é porque a Av. da estação está de cara lavada que os comerciantes fazem mais negócio. Se tivesse uma estrutura hoteleira na estação da CP aí sim. Mas ninguém investe se não houver gente. Então como se pode trazer gente? Aproveitando todos os recursos que temos. Por ex. dinamizar a ZI e o Azibo. No que diz respeito à ZI dos 3 acessos possíveis: o nó, o principal e os secundários nenhum foi construído. A nacional 15? Parece um crivo, é difícil encontrar tanto buraco junto. Pela Amendoeira o acesso continua em terra batida e mal cabe um carro. Conclusão a ZI está a morrer prematuramente. Algumas dezenas de empresários já devolveram os lotes exigindo o respectivo pagamento.
E a Central de Camionagem? Havia um anteprojecto. Era suposto que avançasse de imediato. Começam agora a falar dela.
Relativamente ao Azibo, parte dele está ao abandono. O núcleo de Salselas, antes das legislativas, só tinha silvas e erva. Até as janelas permaneciam abertas de noite e de dia, parecendo uma casa fantasma. Agora instalaram lá, pasme-se, um museu de arqueologia. Conseguiram fazer bem, honra lhes seja feita, o pavilhão multiusos, mas com 3 anos de atraso, integrado no programa Portas da Terra Quente que lhes deixámos aprovado e com muito dinheiro que não conseguiram gastar. De resto tudo espremidinho, mesmo com a mediocridade cultural que graça por aí, deu para Macedo ter um crescimento negativo. Cresceu apenas na despesa corrente, 800 mil contos em três anos comparativamente com 2001. Cabendo uma fatia importante ao pessoal, admitido de forma avulsa, sem critério, conforme os interesses dos amigos, em prejuízo do interesse público. Os concursos têm vencedores antecipados e os lugares para o quadro são abertos a pedido. Vejam a vergonha da estrutura orgânica, que eu denunciei publicamente, aprovada por eles há 2 anos. É tudo muito mau, infelizmente, para este concelho em estado de anemia avançada.
Pior que o imobilismo só o desleixo e a negligência, pior que a incapacidade só o clientelismo e o compadrio e é isso que arruinará o concelho se não acabarmos com esta pouca vergonha.
“Mandai-os para casa, pois” diz a canção da JS. É isso mesmo que temos de fazer para retomar o progresso.
E para retomar o progresso temos que recomeçar persistentemente a trabalhar.
Os instrumentos de planeamento, PDM e PU, parados há quatro anos, têm de ser revistos rapidamente.
A ZI tem de ser dinamizada com a construção dos acessos. O nó de ligação aos IPs é vital para o futuro do município e também do distrito. Por isso, seremos intransigentes na defesa da sua construção.
Precisamos urgentemente de um parque de campismo, de uma acção imaterial, de impacto nacional, que sirva de campanha promocional para fazer com que as pessoas se desloquem até aqui de forma continuada. É também urgente pavimentar a estrada até Santa Combinha, com um perfil diferente e construir um parque de estacionamento e um campo de jogos junto à praia que mobilize e atraia a juventude.
Retomaremos a requalificação das aldeias e o abastecimento de água tratada para todos. Reactivaremos as Associações recreativas e culturais tão importantes para ocupar as populações nos momentos de lazer. A estrada de Meles aos Vilares da Torre, apenas 6 Kms que é a verdadeira imagem da incapacidade destes senhores. O Parque de estacionamento, no centro da cidade, que visualizámos no filme.
Na área social teremos uma atenção especial pelos nossos idosos que vivem sozinhos e não têm lugar nos lares e para as crianças em risco, criando condições para implementar um centro de acolhimento para rapazes. Candidatar-nos-emos a todos os projectos inovadores que apareçam nesta área. Voltaremos a ser pioneiros no desenvolvimento local, e acção social. Propomo-nos também construir as 18 casas sociais, que eles não conseguiram levar a efeito. Caso não tenham perdido o financiamento. Havia projecto, havia dinheiro, não houve vontade ou capacidade política para as pôr no terreno.
Não quero ser Presidente da Câmara para dizer aos amigos que sou. Quero ser para fazer coisas para melhorar a qualidade de vida da nossa gente que em 150 anos transformou um lugarejo numa cidade aprazível, uma cidade que pode não ter uma longa história, mas que tem memória. Uma memória que resiste à erosão do tempo, à desertificação do concelho. E se resiste não desiste, afirma-se numa identidade cultural que assenta na continuidade das suas gerações, na diversidade das mentalidades e
na sua maior riqueza: a sua gente. Gente que vive, que luta, que não se conforma e que por isso se mantém aqui, nesta terra agreste mas leal.
Há muitos cavaleiros épicos no meio desta gente e é preciso ter lata para querer representá-los com lata. Quiseram sim homenagear vários cavaleiros de triste figura que nos têm governado, que levaram o povo à depressão e à nostalgia. Como dizia Camões os fracos reis fazem fraca a forte gente.
Todos juntos vamos recuperar o orgulho de sermos macedenses, para isso é imperativo acabar com o imobilismo, com o compadrio, com a negligência com o improviso. Vamos reconstruir a esperança, recuperar a auto estima, ganhar de novo o respeito por nós próprios e a admiração dos nossos vizinhos. Não podem falar de nós só pelas desgraças como antigamente. Têm de falar por boas razões.
Conto com todos, como todos podem contar comigo para Retomar o Progreso.
Camilo Morais [12-07-2005]

NOTA: Os artigos de opinião não refelectem a linha editorial do Notícias do Nordeste


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