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Um fraco rei
POR: CAMILO MORAIS ...................................Publicado Sábado, Novembro 06, 2004

Sempre, ao longo da nossa história e de muitas outras, por esse mundo fora, houve reis fortes, que se impunham pelo seu carisma, pelo seu pragmatismo, pela sua capacidade de trabalho, pela sua cultura e até pela sua tolerância dialogante e reis fracos, que ao contrário dos outros eram incompetentes, incultos, desconfiados, intolerantes, ..., acabando quase sempre por exercer o poder com tirania ditatorial.
Vem isto a propósito do momento preocupante que o nosso país atravessa, quer ao nível das políticas nacionais, quer ao nível de algumas políticas locais. Em termos nacionais, porque localmente lá iremos, salienta-se uma fragilidade de tal maneira evidente que, um pequeno toque tem o efeito de um elefante numa loja de louça. Disso já todos os portugueses se aperceberam. E aperceberam-se também que estamos a ser governados por pessoas birrentas e pouco habituadas a ser contrariadas. Preocupa-me que o governo seja fraco, incompetente e incapaz de resolver os problemas nacionais. Mas preocupa-me muito mais o efeito negativo que gera na nossa autoestima. Pior do que ter um governo fraco é ter um primeiro ministro que seja ele próprio um factor de instabilidade.
Apesar de não apreciar Durão Barroso, por várias razões, mas sobretudo porque fez uma campanha demagógica e mentirosa, basta recordar que prometeu a universidade para Bragança quando sabia que não iria cumprir e até deslocalizar o I C N para o nosso Distrito quando sabia que este instituto tinha centenas de funcionários que não era fácil nem barato fazer sair de Lisboa porque tinham lá as suas famílias. Apesar, dizia eu, de não apreciar o seu estilo, tenho de reconhecer que com ele era diferente. Via-se que estudava os assuntos, que se preparava para os debates que ia apagando fogos que outros elementos do governo iam ateando, embora ficasse a sensação, por vezes, tal como hoje, que quem mandava era o outro partido da coligação. Por isso e pela sua obstinação para com o défice, como se nada mais houvesse, pela sua arrogância e teimosia em atribuir a origem de todos os males ao anterior governo, quando se sabia que não era bem assim, mas a preocupação de esconder um vazio de ideias e projectos de governação, notava-se já uma grande fragilidade. Não me admirou, que por estas e outras razões mais palpáveis, na primeira oportunidade que lhe surgiu se pusesse a andar. E não me venham dizer que é para bem de Portugal. Ninguém me conseguiu provar, ainda, que pudéssemos ter mais valias assinaláveis com a sua ida para Bruxelas. O que é assinalável é que deixou o país entregue a um senhor, que para lá de ter a ambição de ser primeiro ministro, ele próprio dizia que estava escrito, não se lhe conhece mais nenhum contributo para o bem comum. Aquele foi fraco porque governou mal e sobretudo governou contra o Governo anterior quando devia governar para Portugal e ao primeiro aviso pôs-se a andar. Este basta lembrar as últimas trapalhadas e posições antidemocráticas, próprias de governos sem substrato, para prever que não se avizinha nada de bom. Ambos contribuíram para que, num prazo muito curto, os portugueses fossem mais pobres e a nossa autoestima descesse a níveis inimagináveis. Todos os indicadores dizem que já estamos atrás dos gregos. No governo do Eng. Guterres conseguimos, contra todas as expectativas, cumprir os critérios de convergência e entrar no Euro e eles não, agora já estão à nossa frente.
Camões, ontem como hoje tem razão, “um fraco rei faz fraca a forte gente”, em dois anos e meio já vamos com dois.



Camilo Morais

NOTA: Os artigos de opinião não refelectem a linha editorial do Notícias do Nordeste


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