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Para onde vais Macedo?
POR: CAMILO MORAIS ...................................Publicado Sábado, Janeiro 12, 2008

Discutiu-se, há pouco mais de uma semana, o Plano e Orçamento da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros. É um procedimento mais ou menos “ritualizado” em todo o país, que define as orientações programáticas para os diversos concelhos. O nosso não fugiu à regra. A Assembleia reuniu, esgrimiram-se argumentos e o respectivo Plano e Orçamento foi aprovado com os votos, alguns presumo que envergonhados da maioria que o povo legitimamente elegeu. Seguiu-se o almoço de Natal. Dadas as características especificas da época foi como fumar “o cachimbo da paz”.

Sobre o documento em si, não há muito a dizer, é uma repetição dos anos anteriores para não variar. Um documento muito pobre, sem ambição, nada inovador, de gestão da crise em que a maioria que gere a Câmara mergulhou o concelho. Não há estratégia, não há planeamento, não há dinheiro. Mas porquê se nos outros concelhos há? Talvez porque neste se gaste muito e mal.

A despesa corrente continua a disparar, quase 12 milhões de euros, sem controlo. Ninguém a segura! A maioria conformada, desencantada, com visível desconforto, meteu os pés pelas mãos, sem argumentos, lá tentou justificar o injustificável. “Que realmente há poucas obras, que a despesa corrente é elevada mas que há alguma despesa virtuosa e que melhores dias virão (…)”. Pois, classificou alguma despesa virtuosa, porque grande parte da outra não tem classificação. É bom dizer que essa tal despesa virtuosa gera também receitas, e veio substituir outras pessoas que a Câmara já teve, ou seja a manutenção da ETA e da ETAR, o tratamento da água e dos esgotos, a recolha do lixo e a manutenção das viaturas e vencimentos e horas extraordinárias do pessoal que lhe estava adstrito.

Tudo isto que gerava muito menos receitas foi substituído pelas tais despesas virtuosas que se fala agora. O grande problema não são essas despesas, são as tais que não conseguiram classificar. E essas é que estão descontroladas.
É muito difícil justificar o que não tem justificação. Só se deixa enganar quem quer. O que se passa é que a falta de ideias, a incompetência, a incapacidade e essencialmente o compadrio têm sido o denominador comum nestes últimos anos.

Outros pontos poderíamos focar, como a descriminação vergonhosa entre freguesias, para algumas há dinheiro quanto baste, um fartote, para outras nem para pregar um prego. Ou então o que se passa na cidade, que muitos gostariam que fosse vila para que a vergonha não fosse tão grande: Obras de qualidade duvidosa que se arrastam indefinidamente, ruas com muito trânsito que se encolhem, caso Via Sul, sem se criarem alternativas, pavimentos que desesperam por ser melhorados e, imagine-se fontes sem água, em Macedo? Não é possível!

E então as obras emblemáticas pelas quais a cidade aspira há tanto tempo e que saltam de orçamento em orçamento? Onde está a Biblioteca, a Circular, o Parque da Cidade, o Parque de estacionamento, o arranjo do Mercado, a ligação dos Merouços ao centro de Saúde? Ah! A Central de Camionagem continua no S. Francisco que está muito bem.

É caso para perguntar, para onde vais Macedo? Cada vez mais encravado entre duas grandes e belas cidades e com esta gestão não se augura grande futuro.
Eu, como muitos outros, não tenho culpa. Camilo Morais

NOTA: Os artigos de opinião não refelectem a linha editorial do Notícias do Nordeste


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